terça-feira, 23 de agosto de 2016

As bases de acção das Conferências

A S.S.V.P. CARACTERIZA-SE PELA SUA ESTRUTURA PRÓPRIA *

CONFERÊNCIAS - Unidade de base da sua acção directa, como escola, formação, santificação e centro programador da acção perante os casos de pobreza detectados e analisados.

- Grupos de pessoas animadas por um espírito de fraternidade e simplicidade cristã que, fazendo parte de um movimento católico internacional, terão sempre presente a Regra da S.S.V.P.

- O objectivo das suas reuniões será a santificação dos seus membros, sendo a assistência material o seu fim secundário, tendo sempre presente o espírito de justiça e caridade cristãs.

Como funcionam?

Num espírito de verdadeira fraternidade, tendo como finalidade o aprofundamento do amor ao próximo, seguindo em tudo a Regra da S.S.V.P. para que haja uma verdadeira unidade entre todas as conferências, em qualquer lugar do mundo em que se encontrem.

Ordem das Reuniões

- Oração da Regra
- Leitura Espiritual; comentário
- Leitura da ata da reunião anterior e feitura da ata do dia
- Partilha das experiências semanais das visitas domiciliárias, da ação evangelizadora, junto das famílias visitadas
- Coleta (secreta)
- Informações
- Oração final.



DEVERES

VISITA DOMICILIÁRIA - É o serviço e directo, por ser a mais rica e mais completa forma de relação pessoal e, é considerado o processo tradicional da actuação vicentina. Permite acompanhar junto dos assistidos a evolução da pobreza na humanidade.

- Devem os vicentinos (membros da Conferência) em tudo estar ligados aos seus Conselhos de Zonas e Centrais, para que a S.S.V.P., seja una, só assim se compreende a interajuda e a inter-partilha de experiências;

- Deve existir um verdadeiro espírito de amor, tendo sempre presente que a caridade começa para com aquele que está ao nosso lado;

- Devem relatar (através de relatórios, quadros estatísticos, etc) para os Conselhos de Zona e Centrais todas as experiências relevantes;

- Devem participar em todos as reuniões e assembleias propostas pelos Conselhos de que dependem.


CONSELHOS

- Coordenam, orientam, dinamizam, estruturam, informam e formam a S.S.V.P., a cada nível.


OBRAS ESPECIAIS


- Fundadas, Geridas e mantidas pela S.S.V.P., que têm vida própria, tal como infantários, creches, lares e centro de dia, roupeiros, cantinas, casa de trabalho, etc., etc.

* - O suporte jurídico da S.S.V.P., em Portugal é assegurado pelas Associações das Obras Assistenciais e das Obras Sociais.

                      

terça-feira, 16 de agosto de 2016

O dia em que me tornei Invisível

« Em épocas que a juventude (não tenho nada contra eles), junta-se em grupos à procura de Pokémon's, cá pelo nosso país, vou contar-vos uma história, cuja a personagem feminina, passou-se no México, diferente, mas que serve para que descemos à terra e tornemo-nos reais, palpáveis, de aquilo que pode acontecer e faço votos que não veja, mas, pelo silêncio em casa quando visito e ou com a pressa dos miúdos em pisgarem-se para o quarto verem a TV' já não me admira!...» 


Já não sei em que dia estamos. Lá em casa não há calendários e, na minha memória, as datas estão todas misturadas.
Recordo-me daquelas folhinhas grandes, uns primores, ilustradas com imagens dos santos que colocávamos no lado da penteadeira. Já não há nada disso. Todas as coisas antigas foram desaparecendo.
E sem que ninguém desse conta, eu fui-me apagando também…
Primeiro trocaram-me de quarto, pois a família cresceu.
Depois passaram-me para outro lado menor com a companhia das minhas bisnetas.
Agora ocupo uma água-furtada, que está no pátio de trás. Prometeram trocar o vidro quebrado da janela, porem esqueceram-se e todas as noites por ali circula um ar gelado que aumenta as minhas dores reumáticas. Mas tudo bem…
Desde há muito tempo que tinha a intenção de escrever, porém passava semanas procurando um lápis. E quando o encontrava, eu mesmo voltava a esquecer onde o tinha posto. Na minha idade as coisas se perdem facilmente: claro, não é uma enfermidade delas, das coisas, porque estou segura de tê-las, porém sempre desaparecem.

Noutra tarde dei-me conta que a minha voz também tinha desaparecido. Quando eu falo com os meus netos ou com os meus filhos não me respondem. Todos falam sem me olhar, como se eu não estivesse com eles, escutando atenta o que dizem.
Às vezes intervenho na conversação, segura de que o que lhes vou dizer não ocorra a nenhum deles e, de que lhes vai ser de grande utilidade. Porém, não me ouvem, não me olham, não me respondem.
Então cheio de tristeza retiro-me para o meu quarto e vou beber a minha xicara de café. E faço assim, de prepósito, para que compreendam que estou aborrecida, para que se deem conta de que me entristecem e venham buscar-me e me peçam perdão… Porém ninguém vem…

Quando o meu genro ficou doente, pensei ter a oportunidade de ser-lhe útil, levei-lhe um chá especial que eu mesmo preparei. Coloquei-o na mesinha e sentei-me a esperar que o tomasse, só que ele estava vendo televisão e nem um só movimento me indicou que se dera conta da minha presença. O chá pouco a pouco foi esfriando… e junto com ele, meu coração….
Então noutro dia disse-lhes que quando eu morresse todos iriam arrepender-se.
Meu neto mais novo disse: “Ainda estás viva vovó?”.
Eles tanta graça, que não pararam de rir. Três dias estive chorando no meu quarto, até que numa manhã entrou um dos rapazes para retirar umas rodas velhas e nem o bom dia me deu.

Foi então quando me convenci de que sou invisível…

Parei no meio da sala para ver, se me tornando um estorvo me olhavam. Porém, a minha filha seguiu varrendo sem me tocar, os meninos correram à minha volta, de um lado para o outro, sem tropeçar em mim.
Um dia os meninos agitaram-se e, vieram-me dizer que no dia seguinte nós iríamos todos um dia no campo. Fiquei muito contente. Fazia tanto tempo que não saía e mais ainda ia ao campo!
No sábado fui a primeira a levantar-me. Quis arrumar as coisas com calma. Nós os velhos tardamos muito em fazer qualquer coisa, assim adiantei meu tempo para não os atrasar.
Rápido entravam e saíam da casa correndo e levavam as bolsas e brinquedos para o carro. Eu já estava pronta e muito alegre, permaneci no saguão a esperá-los.
Quando me dei conta eles já tinham partido e o carro desapareceu envolto em algazarra, compreendi que eu não estava convidada, talvez porque não coubesse no carro…
…Ou porque os meus passos tão lentos impediriam que todos os demais caminhassem a seu gosto pelo bosque. Senti claro como o meu coração se encolheu e a minha face ficou tremendo como quando a gente tem que engolir a vontade de chorar.

Eu entendo-os, eles vivem o mundo deles. Reem, gritam, sonham, choram, abraçam-se, beijam-se. E eu já nem sinto o gosto de um beijo.
Antes beijava os pequeninos, era um prazer enorme tê-los em meus braços, como se fossem meus. Sentia a sua tenrinha e a sua respiração doce bem perto de mim. A vida nova produzia-me um alento e até me dava vontade de cantar canções que nunca acreditara lembrar-me.
Porem, um dia a minha neta Laura, que estava de ter um bebê disse que não era bom que os anciãos beijassem os bebês, por questões de saúde…
Desde então já não me aproximei deles, não quero passar-lhes algo mau por minhas imprudências. Tenho tanto medo de contagia-los!

Eu bendigo-os todos e perdoo-lhes, porque…
“Que culpa têm os pobres de que eu me tenha ternado invisível?”


Artigo: por Silvia Peral *
* Cidade do México

sábado, 23 de julho de 2016

Virtudes da Espiritualidade Vicentina

Simplicidade

A virtude da Simplicidade educa-nos na capacidade de desenvolver os valores da verdade, da sinceridade, da transparência. Viver plenamente a simplicidade nos ajudará a evitar ser falsos uns com os outros e muito menos com o povo; por esta virtude somos chamados a ser simples, a dizer as coisas como são, sempre com sinceridade em relação à outra pessoa.

Diante dos desafios que o pluralismo de ideias e de valores e contra-valores que a sociedade capitalista nos impõe, precisamos de estar mais atentos em relação à nossa postura junto ao povo e o cultivo de valores que não são transitórios, mas base para a vida com dignidade. O povo ao qual procuramos evangelizar se aproximará de nós mediante nossa postura diante dele. A simplicidade impregnada em nossos actos possibilitará essa pedagógica aproximação do povo mais simples a nós e vice-versa.

O próprio São Vicente definiu na sua vivência a importância desta virtude na vida de um Vicentino:"A simplicidade é a virtude que mais amo, eu a chamo de meu evangelho" (svI,284).

Humildade

São Vicente de Paulo define a Humildade como a virtude que dá a característica essencial à missão na Pequena Companhia. A humildade é a virtude que nos toma capazes de reconhecer e admitir nossas fraquezas e limitações, criando assim a possibilidade de confiar mais em Deus e menos em nós mesmos.

A humildade ajude-nos a nos livrar-nos da nossa autossuficiência, a reconhecermos nossa dependência do amor do Criador e nossa interdependência comunitária. Ao mesmo tempo, a humildade nos capacita para reconhecer nossos talentos, talentos que devem ser postos a serviço das outras pessoas.

É a virtude que permite aos pobres aproximar-se de nós. É a virtude que nos ajuda a ver que nos ajuda a ver que todos somos iguais aos olhos de Deus. A viência desta virtude educa-nos e capacita-nos, em contrapartida, para aproximar-se progressivamente dos Pobres. Esta virtude nos impulsiona a um processo contínuo de inculturação no mundo dos pobres, encorajando-nos a um esforço de identificação com os mesmos.

Mansidão

Etimologicamente, mansidão vem de “mansuetude” e manso de “mansus”, forma do latim vulgar de “mansuetus”. Tem um significado de comportamento aconchegante, familiar, doméstico. Conceptualmente, a mansidão se entende como a força, a virtude, que permite a pessoa moderar rapidamente a sua ira e indignação. A razoável indignação pode ser com frequência sã e saudável, transposição licita da sobrecarga psicológica a um ato de zelo pela glória de Deus, pela justiça ou pelo bem do próximo.

A mansidão não é agressiva, raivosa, barulhenta. Certamente é uma virtude chave na comunidade. É a virtude que ajuda a construir a confiança de uns nos outros, porque, quando somos amáveis, os que são tímidos se abrirão em relação a nós. Por estas razões podemos dizer que a mansidão é a virtude por demais vocacional, como constatou o próprio São Vicente: “Se não se pode ganhar uma pessoa pela amabilidade e pela paciência, será difícil consegui-lo de outra maneira” (SV VII,226).

A mansidão inspira um trato suave, agradável, educado e fundamenta a tolerância, valor este muito importante para a convivência em uma sociedade plural em que o respeito à pessoa e à sua liberdade deve ser uma lei indiscutível.

 Mortificação

Por esta virtude somos interpelados a morrer para nós mesmos. É a virtude que pede que nos entreguemos totalmente, pensemos primeiro nos outros, pensemos especialmente nos Pobres antes de pensar em nós mesmos. Esta virtude educa-nos para o altruísmo em detrimento do nosso egocentrismo.

Assim nos diz São Vicente: “Os santos são santos porque seguem as pegadas de Jesus Cristo, renunciam a si mesmos e se mortificam em todas as coisas” (SV XII,227).


Zelo Apostólico

Podemos identificar o zelo apostólico com paixão pela humanidade. O zelo é a consequência de um coração verdadeiramente compassivo. Trata-se da paixão por Cristo, paixão pela humanidade e paixão especialmente pelo Pobre. O zelo é uma virtude verdadeiramente missionária. Expressa-se em forma de disponibilidade, de disposição para o serviço e a evangelização, mesmo quando as forças físicas já estão decadentes.

Assim sendo relacionado com o zelo está o entusiasmo, que leva à acção. Podemos entender o zelo como uma expressão concreta do amor efectivo, que é motivado pela compaixão, ou amor afectivo. O amor é inventivo ao infinito. (SVP)




domingo, 10 de julho de 2016

110 Anos Conferência São Cristóvão Mafamude

A Conferência vicentina de São Cristóvão de Mafamude, no dia nove de Julho de 1906, sendo agregada pelo Conselho Geral Internacional sediada em Paris França, entra ao serviço dos mais Pobres da Sociedade São Vicente de Paulo.

A nossa Conferência dá inicio na pastoral da caridade passados 73 anos da 1.ª fundação da Conferência Vicentina São Luís, Rei de França, em Lisboa e 183 anos da fundação da Sociedade São Vicente de Paulo pelas mão do Beato Frederico Ozanam. 

Hoje a 9 de Julho 2016 lembrando o aniversário da conferência, realizou-se uma Celebração Eucaristia em Acção de Graças agradecendo a Deus por todos os vicentinos, colaboradores e subscritores que nela tem ajudado a conferência no serviço da caridade nos pobres, vendo neles a pessoa Jesus Cristo.

Se seguida em conjunto com a Conferência de São Gonçalo na mesma paróquia, deslocaram a um restaurante para franca confraternização.

A Espiritualidade Vicentina passa por subir diversas montanhas da vida de um vicentino e sempre com uma atitude!





quarta-feira, 22 de junho de 2016

Encontro do Conselho Pastoral Social

Encontro para a Pastoral Social
Igreja Jubilar de Mafamude

CONVITE

Com a presença do senhor Bispo Auxiliar D. António Augusto, terá lugar uma celebração (da palavra) do próximo dia 30 de junho, pelas 21h30m, na Igreja jubilar de Mafamude, esta destina-se às pessoas, da nossa vigararia que façam parte dos grupos ligados à Pastoral Social (Ministros Extraordinários da Comunhão, Vicentinos, Visitadores doentes, funcionários / direções dos Centros Sociais e também Comissões Fabriqueiras (poderão ir os elementos que pretenderem, não tem que ser só um representante).
O esquema da celebração é o seguinte:
- Cântico de entrada
- Saudação do Vigário
- Apresentação das Paróquias (***)
- Evangelho
- Palavra do Snr. Bispo
- Cântico Profissão Fé
- Oração Santa Faustina
- Pai Nosso
- Oração conclusiva feita pelo Snr. Bispo
- Cântico Final
- Convívio

(***) cada paróquia indicará um representante para fazer um "retrato" das atividades da Pastoral Social e Comunitária. Ex. " A paróquia de ..... (dizer nome da paróquia) saúda todos os presentes, nesta celebração do Ano Santo da Misericórdia, e dá graças a Deus por concretizar as Obras de Misericórdia através dos seguintes grupos (elencar os vários grupos que a paróquia possui ligados à Pastoral Social e também a Comissão Fabriqueira) e das seguintes respostas sociais ....... (referir as várias respostas sociais, como lares, centros de dia, serviço de apoio domiciliário, creche, Gaia aprende mais, etc).

Como Maria, louvamos o Senhor pelas maravilhas que por nós continua a realizar, hoje, em favor do seu Povo.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

110 Aniversário da Conferencia Vicentina está proximo

A Conferencia São Cristóvão de Mafamude da Sociedade de São Vicente de Paulo, a dia 09 de 1906 por publicação de Carta de Agregação, foi constituída como Conferência Vicentina que se dedica ajudar dos mais pobres e em situações de acompanhamento domiciliaria entre outras tarefas sócio-caritativas, na paróquia.

Este ano a 2016 vamos celebrar os 110 anos de existência com uma Celebração Eucaristia em acção de graças no dia 10 de Julho-Domingo.
Estamos a preparar um simples programa que contaremos ao vosso conhecimento.
Fiquem com um poster de anuncio.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Obras de Misericórdia

Corporais
1. Dar de comer a quem tem fome
2. Dar de beber a que tem sede
3. Vestir os nus
4. Dar pousada aos peregrinos
5. Assistir os enfermos
6. Visitar os presos
7. Enterrar os mortos

Espirituais
1. Dar bom conselho
2. Ensinar os ignorantes
3. Corrigir os que erram
4. Consolar os tristes
5. Perdoar as injúrias
6. Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo
7. Rogar a Deus pelos vivos e defuntos

Vicente de Paulo, filho de Jean Depaul e Bertrande de Morais, na lápide onde foi sepultado lê-se: “Vicente de Paulo, sacerdote, fundador e primeiro superior-geral da congregação da Missão, morreu a 27 Setembro do ano do senhor de 1660”.
Deixou como legado na Missão de Caridade, actos de misericórdia reflectidas na assistência aos escravos, aos sem-abrigo dando-lhes guarida, aos famintos comida, aos nus roupa, carinho aos velhos e às crianças bons conselhos e ensinamentos sempre nas mãos e nas suas pregações a melhor forma de seguir os exemplos de Jesus Cristo. Deixou-nos os seus actos de misericórdia para que mais tarde a sociedade dos vicentinos o seguir e fizessem dos pobres, os nossos amigos e irmãos mais próximos de Deus. São Vicente como sacerdote e no amor a Deus, deixou-nos na sua vivência em Actos de Misericórdia junto dos pobres com uma das suas mensagens: “Convém amar os pobres com um afecto especial, vendo neles a pessoas do próprio Cristo e dando-lhe a importância que Ele mesmo dava”. Aos vicentinos de hoje das novas vivências na terra que nos coloca vários desafios o mais importante é não preocuparmos muito “como se faz mas o modo para quem nos dirigimos” Dá o teu primeiro passo e logo virá o teu Rei mais pequeno dos mais pequeninos seguindo-te. Depressa compreenderás que a caridade embora pese muito nos teus ombros, ficará leve dado com o amor empregue.
Não te escondas atrás dos teus cabelos, da tua cor de pele, do teu tamanho das tuas dificuldades na idade pois esta será suportada pelo bem que possas fazer. Os Actos de Misericórdia são práticas fazendo; com àquele…
Alcança o sorriso, o afecto, o Beijo de Deus como se fosse a mãe de todas as mães.     


Vicentino